No início deste ano de 2024, quero falar sobre o amor. Quero pensar sobre o amor e suas maravilhosas e desastrosas consequências. Quais alternativas temos nós, seres amantes e amados, para resistir ao poder incomensurável do amor? É ele força onipotente, avassaladora, que nos reduz a apenas fazedores dos caprichos egoístas da paixão? Podemos resistir a este absoluto maior que nossa vontade, uma vontade maior que a nossa própria vontade? Somos nós, seres volúveis e efêmeros, donos de nossos destinos e vontades? Resistiremos aos encantos e caprichos da pessoa amada mesmo quando não somos amados? Sim, é claro que sim. Contra o amor não podemos resistir, isto é fato. O amor é forte, a paixão é poderosa. Não podemos resistir aos caprichos do amor. Mas — sim —, podemos contrariar os melindres do querer. Amo porque amo, mas posso decidir não mais querer aquilo que amo. Amo a joia mais preciosa que existe, mas não a quero. Desejá-la custa muito mais do que tudo que tenho; porém, amá-la não me custa nada. Amo, mas não quero. O querer é resultado do pensamento e da vontade, eu decido o que quero, depois eu decido como conseguir o que quero. O amor é contemplação, o querer é ação, força e vontade. Eu sei, todos nós, amantes, sabemos, o amor é imprevisível, irracional; a paixão é desejo em brasa. Porém, o querer é a vontade domada e pensada, planejada e medida. Eu não decido por quem ou pelo que me apaixono, mas escolho minhas lutas e batalhas. Querer é o amor feito fera domada. Eu te amo, mas o teu amor não me faz feliz, então decido não te querer mais. É assim de difícil, é assim de esplêndido. Neste ano de 2024, condeno todas minhas amigas e amigos a muitas paixões avassaladoras, mas decreto também que o querer de cada um de nós seja visitado — ao menos ocasionalmente — pela simplicidade e maestria da razão. Desejo a todos um feliz e amado Ano Novo.
Dias difíceis
Há quase uma semana estou em estado de espera: ou volto logo à vida normal e corriqueira dos afazeres, ou desisto da vida corriqueira e