O amor

PHOTO-2023-12-29-14-51-01.jpg

No início deste ano de 2024, quero falar sobre o amor. Quero pensar sobre o amor e suas maravilhosas e desastrosas consequências. Quais alternativas temos nós, seres amantes e amados, para resistir ao poder incomensurável do amor? É ele força onipotente, avassaladora, que nos reduz a apenas fazedores dos caprichos egoístas da paixão? Podemos resistir a este absoluto maior que nossa vontade, uma vontade maior que a nossa própria vontade? Somos nós, seres volúveis e efêmeros, donos de nossos destinos e vontades? Resistiremos aos encantos e caprichos da pessoa amada mesmo quando não somos amados? Sim, é claro que sim. Contra o amor não podemos resistir, isto é fato. O amor é forte, a paixão é poderosa. Não podemos resistir aos caprichos do amor. Mas — sim —, podemos contrariar os melindres do querer. Amo porque amo, mas posso decidir não mais querer aquilo que amo. Amo a joia mais preciosa que existe, mas não a quero. Desejá-la custa muito mais do que tudo que tenho; porém, amá-la não me custa nada. Amo, mas não quero. O querer é resultado do pensamento e da vontade, eu decido o que quero, depois eu decido como conseguir o que quero. O amor é contemplação, o querer é ação, força e vontade. Eu sei, todos nós, amantes, sabemos, o amor é imprevisível, irracional; a paixão é desejo em brasa. Porém, o querer é a vontade domada e pensada, planejada e medida. Eu não decido por quem ou pelo que me apaixono, mas escolho minhas lutas e batalhas. Querer é o amor feito fera domada. Eu te amo, mas o teu amor não me faz feliz, então decido não te querer mais. É assim de difícil, é assim de esplêndido. Neste ano de 2024, condeno todas minhas amigas e amigos a muitas paixões avassaladoras, mas decreto também que o querer de cada um de nós seja visitado — ao menos ocasionalmente — pela simplicidade e maestria da razão. Desejo a todos um feliz e amado Ano Novo.

Dias difíceis

Há quase uma semana estou em estado de espera: ou volto logo à vida normal e corriqueira dos afazeres, ou desisto da vida corriqueira e

Carlos

    Finalmente, recebo o pacote. “Nova Reunião”, 23 livros de poesia de Drummond em um único volume. Alguns eu já tinha, mas queria porque

Excentricidades

Todo mundo tem alguma esquisitice, isso é natural. O que não é normal é negar que tem alguma esquisitice, fazer de conta que é uma

Raquel Gonçalves

Escritora experimental, psicóloga por formação e professora por opção. Moro no sul da Flórida há quinze anos e vivi sete anos em Santiago do Chile.

Últimos Posts

Dias difíceis

Há quase uma semana estou em estado de espera: ou volto logo à vida normal

Carlos

    Finalmente, recebo o pacote. “Nova Reunião”, 23 livros de poesia de Drummond em

Excentricidades

Todo mundo tem alguma esquisitice, isso é natural. O que não é normal é negar

Manualidades

Não sei o leitor, mas adoro manualidades. Já fiz um pouco de tudo: crochê, tricô,

O Feitiço do Tempo

De vez em quando, não me deixo convencer por nenhum lançamento da NetFlix e decido

Vida Selvagem

Morar no sul da Flórida é um sonho para muita gente. Praias lindas, verão praticamente