Adolescente

Abril 16, 2026

Adolescente

Abril 16, 2026

— Eu vou pintar o cabelo de roxo.

A mãe olha para a filha adolescente, meio incrédula.

— Roxo? Por quê?

— Está na moda, é para exprimir melhor minha personalidade, minha unicidade como ser humano etc.

— Filha, deixa como está, seu cabelo é tão bonito…

— Não, já decidi.

No dia seguinte, ela aparece — adivinha! — com o cabelo roxo. A mãe não gostou muito, mas pensou o mesmo que pensam 99% das mães de adolescentes: “É só uma fase, logo passa”. Um mês depois, a fase não passou e veio a novidade: piercing no umbigo.

— Para que isso, minha filha? Ninguém na nossa família tem isso.

— Eu não sou todo mundo.

A mãe suspira fundo. O que será que vem agora? Vieram quatro brincos, quatro em cada orelha. Até que não eram feios: pequenos, bonitinhos, mas tinha que ser quatro?

— Não é muito brinco, Maria Lúcia?

— Ih, lá vem ela de novo… Eu só quero me expressar melhor, quero ser diferente de todo mundo, e daí? 

A mãe pensa que essa fase já estava na hora de passar. Não passou. E ainda quis fazer uma tatuagem.

— Bem grande, cobrindo o braço inteiro. Um unicórnio azul, cercado de rosas e estrelas, como uma referência ao infinito do universo, entende?

— Não! Chega de história! Agora, essa? Vou falar com o seu pai. 

— Ele também tem tatuagem…

— Só tem uma pequena, nas costas, ninguém vê. 

— Mas a minha tatoo todo mundo vai ver, e ninguém vai ter igual — e foi para o estúdio.

Quando chegou, encontrou todos os unicórnios, dragões, tribais, borboletas etc. Rapazes e garotas cobrindo os braços, costas e pernas, uma panaceia de motivos coloridos, símbolos e tudo mais que a imaginação cria e o artista coloca na pele. Tinha até alguém com o Brad Pitt e a Angelina Jolie ocupando as costas inteiras, um pouco decepcionado, é verdade, mas até isso tinha. 

Desanimada, volta para casa. A mãe pergunta:

— Ué?! Cadê o unicórnio?!

— Resolvi não fazer tatuagem, assim vou ser diferente de todo mundo — filosofou.