Tempos atrás, comprei um macacão superfofo: tipo acinturado, pantacourt, com detalhe drapeado na cintura, lindo! Estava doida pra usá-lo outra vez, aquele modelito perfeito para happy hour, coquetel, cinema, tipo tudo, sabe? Mas daí, folheando as páginas virtuais de moda, me dei conta de que agora não existe nada azul! Nadica de nada, sério!
Tipo assim, agora as cores da moda são essas aqui: preto, chocolate, off-white, amarelo tipo pintinho recém-saído do ovo… Mas não tem nada azul. A cor do céu e do mar está simplesmente “fora” daquilo que as lojas, as revistas e as passarelas chamam de “moda”.
Como assim? Será que o azul estaria vivendo um tipo de “ostracismo fashion”, expurgado pelas modeletes mundo afora? Tipo assim (prometo que é a última vez que repito a palavra “tipo” nesta crônica, e segue o jogo), o azul deve ser expulso dos guarda-roupas universais, com as suas usuárias correndo o sério risco de serem acusadas de cafona e queimadas, sem maquiagem, em frente à Galerie Lafayette, em Paris… Povo, tenha dó!
No Instagram, desfilam influencers aos milhares, dizendo o que está em alta e o que não está: “Querida, jogue fora aquela saia envelope turquesa do último verão e vá correndo comprar um vestido plissado cabernet, é para o seu próprio bem!”. Ou: “Saia midi de oncinha agora é feia, mas a estampa de bolinhas, de repente, ficou linda, olha aí!”. Também tem essa: “Amiga, é sério, ninguém mais usa veludo cotelê”, ou, mais grave ainda: “Se você sair na rua, outra vez, com essa calça skinny, não fale mais comigo!”. Fiquei tão insegura em usar meu macacão azul-petróleo que fui consultar The United States Constitution para saber se constava algum amendment contra ele.
Pessoal, tenha dó de nós, defensoras dos outlets e dos clearance sales, com um bolso mais ou menos (des)provido de dólares, muito mais pra menos, na verdade, que tentam parecer antenadas ou moderninhas. Não me atirem sapatilhas de bico fino com strass só porque a cor do meu macacão está ultrapassada: o arco-íris é o mesmo há eternidades, e ninguém, até hoje, falou em adaptá-lo à cartela de cores do outono de 2026.
Tecido não estraga guardado no closet; uma roupa de boa qualidade, bem cuidada, dura anos, e nenhuma mulher precisaria estar na capa da Vogue para sentir-se elegante. Aposentar uma peça de roupa em boas condições, que ainda serve na dona (lembre-se do Mounjaro, minha gente!), não é apenas desperdício, mas principalmente, futilidade. Estar por dentro das novidades pode ser legal ou interessante, mas aniquilar aquelas peças de que gostamos só porque estão em decadência estilístisca é muita futilidade, principalmente falta de consideração para com a Coco Chanel e a Diane Von Furstenberg (estilistas que defendiam uma elegância atemporal), não acham?
Opa! Acabei de receber uma notificação pelo WhatsApp: o azul voltou! Viva! Mas o rosa caiu outra vez, vai entender…
Enfim, o macacão é meu, ainda serve (milagre!), gosto dele e vou usar, mesmo correndo o risco de ser chamada de cafona. Quem não gostar, que vire o rosto e apresse o passo. Pronto, falei.