DIA DA MENTIRA

Abril 1, 2026

DIA DA MENTIRA

Abril 1, 2026

DIA DA MENTIRA

Sempre achei muito divertida a brincadeira do Primeiro de Abril. Meu pai costumava contar alguma história absurda; meus irmãos achavam graça, e eu ficava “encafifada” com a falta de lógica. Ainda costumo pregar algumas peças nas pessoas: acho o Dia da Mentira uma boa desculpa para se divertir e quebrar a seriedade do cotidiano. As mentiras costumam tirar as pessoas do sério; são como um desvio das certezas da rotina, desse cotidiano monótono e previsível. Acreditamos em algo, estamos acostumados com isso; daí vem alguém, destrói  nossas crenças e nos faz duvidar daquela informação que tínhamos como verdadeira. E ainda dão risada da nossa cara de bobos! 

Falando sério, as mentiras têm um poder muito grande na sociedade. Governos caem, pessoas honestas vão para a cadeia, a bolsa de valores sobe ou desce, casamentos são desfeitos, amizades terminam, empresas perdem os clientes, celebridades perdem a fama e o prestígio, tudo por causa de alguma mentira bem contada. Só há uma coisa ainda mais poderosa que a mentira, realmente capaz de transformar todas as estruturas, sejam da sociedade, da economia ou da nossa vida pessoal. Esse artigo poderoso, embora bastante raro, por incrível que pareça é a verdade.

O que faríamos se o elefante branco que está no meio da sala, que todos tentam ignorar, fosse finalmente encarado? O que faríamos se todas as pessoas percebessem que estamos destruindo nossa saúde ao consumir alimentos industrializados e processados, associados a doenças como câncer, obesidade e diabetes, apenas para trazer lucro a grandes companhias? Que utilizamos uma parte considerável dos nossos escassos recursos para comprar uma infinidade de coisas desnecessárias que, longe de trazer satisfação e felicidade, apenas ampliam o nosso vazio interior? Que mudamos nossa aparência por meio de procedimentos doloridos e caros, como injeções, próteses, lasers, cirurgias, implantes, tatuagens etc., para alcançar um ideal de beleza irreal e agradar pessoas que, se gostassem de nós de verdade, não se importariam com a nossa aparência? Que perdemos tanto tempo com inveja, remorso, culpa, ódio e ciúme, deixando de lado sentimentos vitais como felicidade, amor, alegria, paz e gratidão? Tudo isso é verdade, mas não gostamos de escutá-la. As verdades são, muitas vezes, subliminares: estão aí para não serem vistas; apenas quando tropeçamos em alguma pedra sólida do bom senso é que descobrimos, assustados, algo que deveríamos saber há muito tempo. As pessoas estão acostumadas a ser enganadas, e o engano é o que mantém esse mundo sem sentido, absurdo e virado do avesso funcionando desde sempre.

Ainda espero comemorar o “Dia da Verdade”: o momento em que conheceríamos mais a nossa vida e a nós mesmos, escutaríamos a nossa voz interior, nos aproximaríamos de outras pessoas sem máscaras e nos daríamos conta dos nossos enganos e das nossas crenças equivocadas. Tenho medo de que esse dia fosse temido e até proibido, um Primeiro de Abril às avessas, porém acertado e reparador. Afinal, por que ter medo da verdade?